Neo Tokyo
É com todo o prazer que damos as Boas Vindas a Neo Tokyo!

O fórum se passa em um mundo futurístico, cyberpunk, onde as grandes corporações e as máfias dominam todo o giro de capital.
Desde os altos arranha-céus da Cidade Alta até as ruas sujas e cheias de mendigos e doentes do Distrito 8, o mundo é dominado pelas modificações corporais e pelos implantes de aumento de habilidade, ou AUGS.

Desenvolva sei personagem, com suas habilidades e fraquezas e escolha seu local de moradia de acordo com seu passado e presente, e acima de tudo: divirtam-se!

O Compositor Cego

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O Compositor Cego

Mensagem por Gesicht/Atom em Qui Jan 04, 2018 5:49 pm

(Segunda história do caso no qual o Gesicht está trabalhando )


Na Escócia, reside um dos maiores compositores dos tempos modernos. Suas músicas são feitas exclusivamente para filmes e deixam as pessoas em lágrimas. Paul Duncan já estava velho e cego, o que fazia dele ainda um maior sucesso. O Compositor Cego. Suas músicas eram de uma beleza única. Agora, ele tocava em seu piano, mais uma bela canção. Acabou por socar o piano, fazendo um alto som.

'' Não fique parado aí, está me incomodando '' Falou Duncan.

'' Perdão, Mestre Duncan. Eu não deveria ter entrado sem avisar '' Disse o robô, que estava de pé atrás dele.

'' Você é um daqueles lá, não é? Que participou da guerra? '' Questionou o compositor.

'' Sim, Mestre Duncan. Eu participei da Guerra da Eurásia. Eu era o assistente pessoal do General Andrew Douglas, que me recomendou para essa posição '' Informou o robô

'' E qual seu nome? '' O idoso era conhecido por ter um pavio curto e já estava começando a se irritar com a máquina.

'' North #2 '' Respondeu o robô. North Número Dois era o segundo e último robô da marca North, criado para a Guerra da Eurásia em específico. North Número Um caíra em combate.


'' Seu nome é tão sem gosto '' Murmurou o homem '' Me faça um chá. Eu sempre tomo...’’

'' Não se preocupe, Mestre Duncan. Eu tenho todos os seus dados '' Disse North #2, enquanto se retirava para fazer o chá.

'' Meus dados... '' Resmungou o homem.


'' Antes de vir para cá, eu tive a oportunidade de assistir ‘ The Moon Is A Harsh Mistress ‘ e devo dizer que suas músicas deixaram um grande impacto em mim '' Informou North, enquanto servia o chá de Duncan

'' Mais um pedaço dos seus dados? '' Questionou Duncan, irritado.

'' Não, senhor. Isso foi um sentimento real '' Afirmou North.

'' Esse filme já tem uma década de idade. Eu compus uma música para ele, logo ele se tornou um sucesso '' Falou Duncan, enquanto pegava a sua xícara de chá '' ‘ O Brilhante Compositor Cego ‘. Suponho que tenha visto a mídia também? ‘ Até mesmo a genialidade de Paul Duncan se esgotou ‘ ''.

Ele falou, enquanto erguia a xícara para bebericar. Porém, parou no meio do movimento.


'' Eu poderia compor mais um milhão de músicas tão boas quanto aquela. Não é que eu não consiga mais. É que eu não quero mais. Quando eu componho uma música, a plateia fica em lágrimas e aplaudem de pé. É uma bela de uma porcaria '' Falou Paul

'' Mas o senhor estava tocando uma bela música poucos momentos atrás '' Disse North #2

'' Aquela não é uma música para um filme. É uma música para mim '' Ele disse e então tomou um gole do chá '' É igual ao seu nome ''


'' Perdão? '' Disse North#2, sem enteder

'' Esse chá. É sem gosto, igual ao seu nome '' Ele falou, virando o resto do chá no chão '' Uma bela música? O que um pedaço de sucata militar como você entende de música? ''

'' Me perdoe, senhor '' Disse North#2, apressando-se para limpar o chá que estava no chão.

Duncan continuou a tocar a mesma música de antes, porém sempre que chegava em uma determinada parte, ele parava e batia sua mão contra o teclado, frustrado. A noite, quando North preparou o jantar e servia a Duncan seu vinho, o compositor o questionou.

'' Quantos você matou? '' Ele perguntou de súbito.

'' Perdão? ‘’ Questionou North, sem entender


'' Quantos você matou na guerra, com esse seu corpo repleto de armas? '' Perguntou Duncan

'' Segundo a lei robótica, um robô não pode matar humanos '' Disse North

'' Então você matou outros robôs. Quantos você destruiu? '' Silêncio da parte de North '' Meu jantar sem gosto agora está ainda pior. Suma daqui ''

'' Me perdoe '' Disse North, deixando o local.

Pelos dias que se seguiram, Duncan continuou a tocar a música que era para ele, porém da mesma maneira de antes, ele batia sua mão contra o piano em uma determinada parte. Enquanto limpava a sala dos instrumentos, North aproximou-se do piano e tocou uma tecla, emitindo o som.

'' Não toque no piano '' Censurou-lhe Duncan, entrando na sala.

'' Perdão senhor. É que o senhor tem tantos equipamentos modernos, porém ainda compõe com um piano '' Disse North

'' Essas porcarias são iguais a você '' Disse o compositor '' Um piano falso, um violino falso, uma orquestra falsa. Todos são capazes de imitar, mas nenhum sente. Eu não instalei olhos por causa disso. Eu não preciso deles. Em minha cabeça, eu tenho as verdadeiras visões ''

'' Verdadeiras visões? '' Questionou-lhe o robô, sem entender.


'' Sim, da minha terra natal, de quando eu ainda enxergava '' Disse Duncan.

'' Sua terra natal. Dinamarca então '' Falou o robô

'' Mais um pedaço dos meus dados, não é? Seus dados não possuem as partes importantes '' Falou Duncan, amargurado '' Dos campos verdes, das brisas gentis... e daquele céu dourado durante o pôr do sol. É isso que eu coloco em minha música. Agora saía! ''


Duncan sentou-se na frente do piano, e continuou a tocar, apenas para se frustrar novamente. A noite, enquanto North fazia sua checagem de rotina, ele acabou por passar pelo quarto de Duncan. E pôde ouvir. O homem cantava enquanto dormia. Uma bela canção. No outro dia, North tocava no piano.


'' Eu já lhe disse para não tocar no piano '' Disse Duncan, entrando novamente '' Não importa o quanto tente, você só vai conseguir imitar! ''

'' Mestre Duncan. Me perdoe, mas ontem a noite eu passei pelo seu quarto enquanto você dormia. E você cantava. A melodia completava perfeitamente a parte que o senhor tem dificuldade em tocar '' Falou North, voltando-se para o piano '' Eu não consigo ser preciso, mas era mais ou menos assim ''

'' Saía daqui... '' Murmurou Duncan, irritado '' Saía da minha mansão! Eu não preciso de nenhuma máquina como você aqui! ''


'' Mas... '' Começou North

'' Isso é uma ordem de seu mestre! Saía! '' Gritou Duncan, explodindo de raiva.

'' Eu... quero aprender a tocar o piano '' Falou North.

'' Você o que? '' Questionou Duncan, achando graça.

'' Talvez seja como o senhor diz, e eu acabe só por imitar. Mas eu quero chegar o mais próximo possível da coisa real '' Disse North, voltando a tocar o piano.

'' Pare com isso! Você é uma sucata! Foi feito para o campo de batalha! '' Urrou Duncan


'' É justamente por isso. Eu quero aprender a tocar o piano '' Falou North '' Para que eu nunca tenha que voltar para o campo de batalha ''


Aquilo silenciou Duncan pelo resto do dia. Na outra manhã, quando ele acordou, North #2 ainda estava ali. Apesar de ter sido demitido, o robô ainda insistia em continuar ali. Enquanto Duncan almoçava, ele voltou a tocar o piano, apenas para a irritação do compositor.

'' Já lhe disse para ir embora! Você está demitido! '' Gritou Duncan, entrando na sala de som.

'' Por favor escute, Mestre Duncan. Acho que eu melhorei um pouco '' Falou North

'' Melhorou? Há! O que uma máquina como você sabe de melhora? '' Gritou Duncan, batendo em uma das máquinas de som mais modernas ‘’ Esse monte de lixo, com os dados certos pode criar infinitas músicas! Essa porcaria não é música! ''

'' O senhor vai quebrar o equipamento '' Falou North

'' Ah, protegendo a sua raça não é? '' Falou Duncan '' Pois bem , escute. O motivo pelo qual eu canto em meus sonhos. Meu nome de verdade não é Paul Duncan, mas sim Paolo Holley. Eu e minha mãe crescemos em uma cidade pobre, mas mesmo vestida em trapos, ela era bela. Então, um homem rico aproximou-se dela, pediu que ela fosse com ele. Eu era apenas uma pedra no sapato dela. Ela me abandonou. Nem hesitou. O dinheiro daquele homem cegou ela. Eu consegui entrar em uma escola de música, mas por ser pobre e viver em um orfanato, eu era detestado e apanhava todos os dias. Mas ainda assim, eu me dediquei a música completamente. Um dia, eu adoeci. Uma doença horrenda, uma que na época não possuía cura. Eu pensei que ia morrer. Então, um médico japonês ofereceu ajuda, disse que conhecia um tratamento, mas que eu podia perder a visão. Eu aceitei sem nem pensar duas vezes. E foi como o médico disse, a cada dia minha visão piorava. Porém, eu tinha a música! Aprendi  tudo o que podia . E então, a escuridão veio. Anos depois, descobri que minha mãe havia morrido. Ela não era nem a mulher de verdade do homem! Morreu sozinha. O que ela mereceu, por ter abandonado o filho. E sabe qual é a parte mais engraçada? Essa mansão era do homem que ela desejava. Eu fiquei rico com minhas músicas e comprei esse lugar! Era isso que minha mãe desejava tanto! Tanto que abandonou seu filho! ''


'' Mestre Duncan, eu... '' Falou North


'' Silêncio! Eu irei escrever uma carta de recomendação. Você vai embora amanhã '' Disse Duncan, se retirando do local e indo para o jardim. De lá, ele pôde ouvir North novamente tocando o piano.

North tentou fazer o que Duncan fez, colocar suas memórias na música que tocava. E conforme tocava o piano, ele lembrava-se. Suas armas disparando, suas lâminas cortando e inimigos explodindo. Corpos de humanos e robôs para todos os lados. Um verdadeiro inferno na terra. Não combinava nada com a música que tocava, a música de Duncan.

'' Ele melhorou um pouquinho '' Resmungou Duncan. Naquela noite, ele presenciou North recarregando suas baterias, para partir no dia seguinte. North murmurava enquanto o fazia. Era como se estivesse dormindo. O lamento de North espalhava-se pelo local '' Até mesmo robôs, tem sonhos? ''


No outro dia, Duncan tocava novamente. Chegou na parte onde falhava e parou.

'' Quem sabe, eu realmente não consiga mais compor '' Murmurou ele '' Ei, North. North? Ele realmente foi embora''

Naquele dia, Paul recebera duas ligações. Uma para perguntar se poderiam usar uma de suas músicas antigas, não desejavam uma nova. E outra para informar-lhe que a empresa que o contratara não desejava mais utilizar as músicas novas dele. No jardim, Duncan pôde sentir o cheiro das flores que estavam a morrer.

'' Eu tenho que dar um jeito nelas... '' Murmurou e em seguida riu '' O que eu posso fazer com elas? Tudo o que posso fazer é deixa-las morrer ''

Naquela tarde, Duncan voltou a sentar-se perante o piano e pôs-se a tocar, as belas imagens de sua Dinamarca em sua mente, claras como se ele tivesse acabado de vê-las. Porém, a música não saía. Seus dedos sabiam o que tinham que fazer, porém não o faziam. Pegando um machado que havia ali, ele ergueu-o para destruir o piano.


'' Mestre Duncan '' Chamou a voz de North, interrompendo o movimento do compositor '' Eu retornei ''

'' Por que? Eu mandei você ir embora! '' Falou Duncan.

''Eu fui para a Dinamarca, sua terra natal '' Disse o robô

'' E o que você foi fazer lá? '' Questionou Duncan, sua curiosidade subjugando sua ira.

'' Eu fui coletar músicas. Música após música, eu finalmente  achei, a música que o senhor canta. Eu vou cantá-la para o senhor '' Falou North#2

'' Não! Eu não quero ouvir as músicas de um robô! Pare de invadir meus pesadelos! '' Gritou Duncan.


'' Não são pesadelos senhor. Não é algo que o senhor deseja que sumam, diferente dos meus. O senhor tem razão, eu sou uma arma. Na Guerra da Eurásia eu matei incontáveis robôs. Dezenas de milhares. A memória da destruição deles passa pela minha I.A constantemente '' Falou North, apenas para receber silêncio da parte de Duncan '' Eu encontrei um senhor na Dinamarca, um que era expert em músicas do folclore. Ele conhecia a música que o senhor canta, e lembrava-se de uma pessoa que cantava ela muito bem. Sua mãe, senhor. Sua mãe não lhe abandonou, mestre Duncan. Ela envolveu-se com o homem rico para poder pagar seu tratamento. Foi assim que o doutor japonês chegou até o senhor. O senhor não foi abandonado. Depois de seu tratamento, sua mãe ficou próxima de você, mas sabendo de seu ódio, ela não se aproximou ''


'' Não... '' Murmurou Duncan


'' É verdade, senhor. O senhor está omitindo um fato importante. Quando o senhor observava o pôr do sol dourado, você e sua mãe cantavam essa música '' Disse North, e pôs-se a cantar a canção de Duncan.


E, mesmo sendo cego, Duncan pôde ver e sentir. Os campos verdes, a brisa suave batendo em sua pele. E o pôr do sol dourado. E sua mãe. Ela estava ali também e cantava com ele aquela canção. Aquela tão bela canção.


'' Mãe... mãe... '' Murmurava Duncan.


'' Eu sinto muito por forçar minha música de máquina sobre o senhor. Eu só queria que o senhor soubesse que os seus sonhos não são pesadelos. Não como os meus '' Falou North.

'' North#2. Você não precisa partir. Fique aqui. Vou lhe ensinar a tocar o piano '' Falou Duncan.

Os meses que se passaram foram alguns dos melhores na vida de Duncan e North. Juntos eles praticavam o piano, conversavam e se divertiam. Onde antes existia desgosto, agora uma amizade nascia. Uma relação de aluno e professor e não de máquina e humano. Certamente, não teria como ficar melhor que isso. Quando Duncan finalmente terminou sua canção, North alertou-o. Montblanc havia sido destruído semanas atrás, por um furacão. E agora, um furacão materializara a 100 quilômetros da casa.

'' Algo está se aproximando. Algo... terrível '' Murmurou North '' Eu já venho senhor. Não se preocupe ''

Dito isso, North tirou a capa que escondia seu corpo. Seu corpo era uma arma, com vários braços que eram armas e lâminas. Saindo para fora da mansão, ele disparou para o ar, voando na direção de seu inimigo. A sua forma? Ele não sabia descrever bem, porém haviam chifres naquele ser.

'' O que está acontecendo? '' Perguntou Duncan, escutando explosões no céu. Uma última explosão '' North? '' Algo tocava nos céus, chegando aos ouvidos de Duncan '' Essa é... a minha canção. Minha música está preenchendo o céu! North #2 está cantando para mim ''

Nos céus, os pedaços de North caíam, com sua cabeça ainda emitindo aquela canção para que Duncan pudesse ouvir o quanto ele melhorara. Seu corpo caía em direção ao chão, enquanto Duncan estava sentado na varanda, a espera de North #2.

'' Ei, North. Não fique cantando aí. Volte para mim '' Falou Duncan, seus olhos cegos voltados para o céu '' Está na hora de sua aula de piano ''


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